Mulher, mãe, esposa, palestrante, professora e apaixonada pelas transformações femininas.
Lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que decidi ser médica para cuidar da saúde das mulheres.
Eu tinha dez anos e acompanhei meu pai – que é ginecologista – em uma palestra na escola onde meus irmãos e eu estudávamos. A sala acomodava em torno de 40 mulheres, entre alunas e professoras.
Notei, no alhar atento de cada uma delas, o impacto das palavras do meu pai e as lições que ele compartilhava sobre a importância dos hormônios, esses fabulosos maestros que regem cada função do nosso organismo.
Não é preciso chegar no climatério para entender o quanto os hormônios impactam nossa vida. A partir dos 12 anos, explicou meu pai naquele dia, o GH (hormônio do crescimento), o estrogênio e a progesterona começam a atuar de forma mais intensa nas meninas que, em alguns anos, serão mulheres.
Seios crescidos, pelos, oleosidade na pele, a primeira menstruação… O organismo feminino vivencia uma série de alterações que também se reflete nos sentimentos. Se não estivermos bem amparadas, a puberdade pode ser desafiadora. Ainda lembro da expressão das meninas que, como eu, estavam receosas, mas também ansiosas para fazer tantas descobertas.
Meu pai seguiu compartilhando seu conhecimento e eu fiquei cada vez mais envolvida e apaixonada pelo tema. Foi nesta mesma palestra que aprendi sobre o auge da produção hormonal e a influência do estrogênio, progesterona, FSH, LH e TSH na nossa vida.
Foi – e ainda é – incrível pensar na máquina humana perfeita capaz de unir duas células germinativas que vão gerar uma nova vida. Seguindo o raciocínio do meu pai, a gestação e a chegada de um bebê revolucionam o funcionamento do nosso corpo e colocam em cena mais hormônios: a prolactina e a ocitocina.
Puberdade, gestação, climatério… Os hormônios marcam presença durante toda a vida das mulheres e é por volta dos 45 anos que novas mudanças bruscas ocorrem. Do auge da nossa função reprodutiva ao declínio na produção hormonal, pouco mais de 20 anos se passam.
Quando a produção dos hormônios femininos entra em colapso, o corpo se ressente e nos avisa, sem quaisquer sutilezas, o que virá pela frente. A libido cai, a pele perde o brilho e o viço, a massa muscular diminui, a gordura se acumula no abdômen, a disposição nos abandona, a irritação é constante, a insônia nos faz companhia toda madrugada e não nos reconhecemos mais.
Meu pai avisou que tudo isso aconteceria, mas que sempre há solução. A menopausa não põe fim ao que somos – apenas limita a nossa capacidade natural de reprodução. Fiquei encantada com o poder dos hormônios, com os ensinamentos daquele médico incrível e foi ali, ainda na infância, que tive a certeza do que queria: ser agente de transformação na vida das mulheres.
Encarar a menopausa é fácil? Nem sempre, mas é possível sair bem dessa luta. Cresci, passei pela puberdade, fui mãe, cheguei ao climatério e hoje sei que a natureza feminina pode ser bela.
O que determina como vamos percorrer cada fase dessa jornada está no olhar cuidadoso de quem nos acompanha. Somos diferentes, somos únicas e precisamos de alguém que nos dê a mão e nos ajude a entender como tirar o melhor proveito disso tudo.
Hoje, mais do que médica, sou a amiga, a conselheira, a orientadora, o suporte das mulheres que têm a vida chacoalhada pelos hormônios, mas não desistem de redescobrir os caminhos para um futuro saudável.
Foi a sementinha que meu pai plantou lá atrás, naquela palestra de escola, que despertou em mim a curiosidade pelo tema e a vontade de entender os hormônios e de estudar formas de ajudar centenas de mulheres.
Hoje, sou muito mais do que médica. Sou uma mulher feliz a serviço de outras mulheres em busca de saúde e felicidade.
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Nosso conteúdo tem caráter meramente informativo e não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte o seu médico.